sábado, junho 16, 2012

Encontro civilizacional: os moscovitas na Europa


O fã moscovita, Dmitri Abramov (20), que o tribunal polaco condenou aos 3 meses de prisão pela organização da rixa em Varsóvia, recusou-se a reconhecer a sua culpa. Segundo a sua própria versão, ele apenas pretendia virar com o pé (!) o homem espancado caído no chão para verificar “se este estava bem”…

Se alguém ainda teve algumas ilusões, eis o verso de um outro fã russo, que pode ser visto AQUI e cujo original foi publicado AQUI

«Ruazinhas de conto mágico,
Florzinhas às janelinhas,
Os vestidinhos das meninas do liceu,
Igrejinhas e os sininhos.

As casinhas, como desenhadas,
A cidade – teatro de marionetas,
As pensionistas parvinhas
Correm à volta da lagoazinha.

Os comboios com janelas lavadas,
Os fiscais usam gravatas,
Na carruagem elétrica
Limpinho como na festa.

Destrancadas as portas dos carros,
Os motoristas simpáticos,
Morrem, seus canalhas,
Doces bonzinhos chatos!

Pegaria vós pelo pescoço eu,
E com blindados até a vista,
Meus punhos ficam cerrados,
De tanto vós odiar!»

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domingo, abril 22, 2012

Para preferir sermões deve-se seguir os mandamentos!


A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) que apoiou Estaline e Brejnev, forneceu os informadores ao NKVD e ao KGB (caso do actual patriarca Cirilo I de Moscovo, agente “Mikhailov”), negoceia em cigarros e vende os postos na hierarquia, queixa-se da perseguição...
 
Cirilo que usa um relógio que custa 30.000 Euros (e que depois desaparece das fotos oficiais com ajuda do Photoshop), queixa-se que “...somos alvo de ataques de perseguidores que ...  são perigosos esquece que “para preferir os sermões deve-se seguir os mandamentos”!

Artigo do NYT sobre o Photoshop ortodoxo:

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domingo, setembro 18, 2011

Obrigado ao povo de Donbas!


No dia 15 de Setembro na Ucrânia a unidade especial da polícia ucraniana “Berkut”, atacou a feira popular e pacífica no centro de Kyiv (Praça da Independência), onde decorria a venda de rua de diversos tipos de merchandising com o logótipo central “Obrigado ao povo de Donbas” (fotos e vídeo): http://politics.comments.ua/2011/09/15/288446/berkut-razognal-aktsiyu-spasibo.html  

O slogan «Obrigado ao povo de Donbas pelo presidente p@anileiro», foi criado por fãs de futebol ucraniano, que protestavam, desta maneira contra as regras cada vez mais autoritárias do presidente ucraniano, Viktor Yanukovych. 

Ver no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=mYDEPADnH2o

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sexta-feira, setembro 09, 2011

A Morte do Ocidente


O jornalista, comentador televisivo e político americano Patrick J. Buchanan fala sobre o seu livro The Death of the West (A Morte do Ocidente) na entrevista à revista alemã Nation und Europa.
No livro editado em 2002 Patrick Buchanan constata o triste facto da degradação alargada dos povos europeus, acompanhada pelo aumento da longevidade e da natalidade baixa, sob a mentalidade de “não podemos fazer nada”.
NuE: Você escreve que todos os europeus, incluindo os americanos, canadianos e australianos de origem europeia vivem sob uma ameaça e prediz o seu desaparecimento.
PB: O meu estudo baseado nos dados estatísticos populacionais da ONU mostra que nenhum país europeu, menos Albânia, não possui as estatísticas de natalidade que lhes permitem, na sua forma actual, sobreviver o ano 2050. Em 2050 a Europa perderá 128 milhões dos actuais 728 milhões de habitantes. Essas perdas correspondem ao actual conjunto populacional da Bélgica, Holanda, Noruega, Suécia, Dinamarca e Alemanha. Itália perderá 16 milhões, Alemanha – 23 milhões, Rússia – 33 milhões. Em 2050 cerca de metade de todos os europeus ultrapassarão a idade de 50 anos, outros 10% (60 milhões de pessoas) ultrapassarão 80 anos. E naquele momento será o fim da Europa. Em metade dos países europeus já hoje a mortalidade é maior que a natalidade, há mais caixões do que os berços...
NuE: E você afirma que o inimigo está dentro das portas na cultura do “politicamente correcto” e em forma do “marxismo cultural”...
PB: Aquilo que vivemos na Europa e muitas das vezes em todo o Ocidente é o declínio do cristianismo e da tradição europeia ocidental. Vem o novo estilo da vida que se baseia no materialismo, hedonismo e na “vida fácil”. Os europeus actuais não querem viver como viviam os seus antepassados, eles preferem a vida tipo “o mais importante hoje é comer bem, beber bem e se divertir, pois amanha poderemos morrer”.
NuE: Como você explica a dicotomia entre a opinião pública e a opinião que a imprensa afirma ser do público?
PB: Nos EUA e na Europa a revolução dos 1960 ganhou e se tornou a dominante na cultura. Essa revolução jurou a fidelidade aos abortos e feminismo, direito dos homossexuais em se casar e adoptar as crianças, ela é fiel ao igualitarismo, eutanásia e ao governo mundial. Estamos falar sobre o marxismo cultural, que essencialmente falando é extremamente anti-ocidental. Ele passou pelas nossas universidades e hoje tem nas nãos o mundo da cultura: artes, imprensa, televisão, instituições do ensino. História se diaboliza, os seus heróis são derrubados. Totalmente varrido tudo que é antigo, se apaga a memória, para que seja possível criar uma nova religião no lugar da tradicional, com a fé em globalismo, igualitarismo, fronteiras abertas e o governo mundial. A nova religião deve abarcar todos os domínios da vida em troca da nossa liberdade e a nossa dignidade. Estamos falar sobre a escolha de Fausto. Mas eu considero que a resistência contra essa revolução é a obrigação mais importante do homem ocidental.
NuE: Como você explica o facto do que os americanos conservativos não conseguem acordar, apesar do perigo?
PB: A maioria dos conservadores americanos não são, realmente falando, conservadores de verdade, mais uma espécie de oportunistas, fugitivos da ala esquerda do Partido Democrata dos anos 1960. Eles rapidamente juraram fidelidade às ideias conservativas, quando se tornou claro que a revolução da Direita, que nos preparávamos durante muitos anos acabará com Ronald Reagan. Essa gente leu um monte de revistas “conservativas” e se apresentam como “conservadores”, embora entendem pouco (disso). Eles querem transformar os EUA em um novo império e impingir aos todos os países a sua “democracia”. Mas verdadeiros conservadores nos EUA não são adeptos da intervenção, eles colocam os interesses do seu país em primeiro e não querem participar nas guerras que não lhes dizem respeito.
O “caldeirão” (americano) se partiu em bocados, no momento em que a elite de esquerda prega o multi – culturalismo. Estamos navegar directamente para a verdadeira balcanização da nossa sociedade.
A defesa dos interesses nacionais e a preservação da especificidade nacional devem ser praticados pelos partidos do poder, incluindo na Alemanha. Eu acho que o globalismo pode ser derrotado, tal como isso aconteceu com o bolchevismo. Tenho medo daquilo que poderá acontecer se não acordaremos a tempo. Gostaria de me equivocar. A nossa cultura representa o cúmulo da civilização humana e é necessário preserva-la.
Fonte:
http://svan68.livejournal.com/76967.html

Blogueiro

Embora podemos discordar de algumas ou até de várias afirmações do Patrick Buchanan, a recente tragédia da Noruega mostrou decididamente que a Europa, principalmente a Velha Europa não está nada bem. Basta analisar os seguintes pontos: 

  1. Um único atirador não profissional consegue aterrorizar cerca de 700 pessoas, que fogem em pânico como ratos polares e o máximo que conseguem é negociar com o sujeito: “por favor não me mate, você já matou o meu pai” (!)...
  2. Uma patrulha policial presente no local se considera inapta para enfrentar o perigo (salvo erro a polícia de segurança pública anda desarmada) e se limita a chamar o grupo de intervenção especial.
  3. O único helicóptero disponível está estacionado numa outra base e o grupo SWAT tem que viajar de carro. Quando o SWAT tenta usar um barco, este semi-afunda e não consegue navegar....

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domingo, agosto 21, 2011

Russia Today intimida Ocidente

A voz oficial da Rússia (para o auditório que fala inglês), o canal televisivo Russia Today, outra vez recria o tema de “crescimento do neo-nazismo na Ucrânia, apoiado pelas elites dirigentes ucranianas”. 

Desta vez o pretexto informativo foi o incidente durante o jogo de futebol entre Dynamo Kyiv e Karpaty Lviv no último dia 7 de Agosto. No 65° minuto do jogo o funcionário do clube Dynamo Kyiv, Andriy Salamatov, se dirigiu à tribuna dos fãs do Karpaty Lviv, onde tentou destruir duas bandeiras com as imagens do Stepan Bandera e Roman Shukhevych. Em resultado o vândalo foi sovado pelos fãs de ambos os clubes. Após o incidente o serviço de imprensa do Dynamo Kyiv informou que Salamatov foi despedido por provocar o conflito. O comportamento bizarro do funcionário não estava ligado às suas actividades profissionais, pois ele se encontrava no estádio no seu tempo livre. 

O canal russo afirmou que (traduzido do inglês): “A violência brutal (Sic!) obscureceu ... o campeonato de futebol na Ucrânia, quando o chefe da manutenção do estádio foi espancado depois de tentar arrancar os dísticos com os nomes dos colaboradores dos nazis”. A apresentadora também disse que “neo-nazismo” é apoiado na Ucrânia no nível superior. A reportagem termina com um aviso ligado à organização na Ucrânia do Euro-2012: “Quando os olhos de toda a Europa serão focados em Kyiv, os dísticos em memória das pessoas como Bandera e Shukhevych podem seriamente danificar a reputação do país”. 

Infelizmente, Russia Today, não informou os seus telespectadores sobre as visões e opiniões anti – ucranianas e ultra chauvinistas do Andriy Salamatin que este manifesta publicamente na Internet. “Nação ucraniana nunca existiu, não existe e não existirá!”, “vivo na cidade russa de Kiev”, “nação ucraniana e a língua ucraniana são quimeras artificiais criadas para dividir e aniquilar o povo russo”, escreve ele no fórum da cidadezinha provincial de Vasylkiv onde reside e onde se intitula de “político” (http://www.vasilkov.info/forum/index.php?showtopic=9143&st=0). 

Na rede social russa “Meu mundo” do servidor Mail.ru, Salamatin escreve mais uma vez: “sou homem soviético – cidadão de uma tal Ucrânia, espero que não por muito mais tempo”. Na rede social VKontakte Salamatin faz parte dos grupos virtuais com nomes sugestivos: “Sou chekuista!”, “Nossa pátria é URSS” e “NKVD”. 

Lembramos que canal Russia Today começou a funcionar no Outono de 2005 e é financiado pelo orçamento federal russo. O canal transmite “a posição russa sobre as questões principais da política internacional” e também informa o “auditório sobre os acontecimentos e tendências da vida russa”. 

Fonte:
http://blog.i.ua/community/662/769138/

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quinta-feira, julho 21, 2011

As memórias da guerra georgiana: batalha de Shroma

No dia 18 de Julho foi comemorado o 18° aniversário da batalha de Shroma (Geórgia), na qual o corpo expedicionário ucraniano “Argo” tomou e defendeu a aldeia de Shroma, o ponto estratégico na guerra da Abecásia de 1992-93. Os voluntários ucranianos da UNA-UNSO superaram a guarnição de cerca de 600 “cossacos” russos, resistindo mais tarde ao avanço do exército regular russo e separatistas locais.
A batalha de Shroma nas memórias do voluntário ucraniano Yuriy Kolesnikov, conhecido também como “Shamil” e “Veselchak-U”.
Na altura da guerra eu tive 22 anos, escrevi estas memórias em Maio – Junho de 2004, corrigindo as no período de 2004-2008 com a informação que veio da parte oposta. A minha visão da guerra é subjectiva, pois eu via a guerra das trincheiras georgianas como um nacionalista ucranianos, russo de origem étnica. Não se apressem com as avaliações, olhem para a guerra com os meus olhos...
Início da guerra
Primeiro grupo dos ucranianos, oito pessoas no total chegou a Geórgia no dia 30 de Junho de 1993. Vestimos as uniformes militares no avião, eu fiquei à civil. Os que estavam fardados, passaram o controlo alfandegário sem problemas, outros tiveram que mostrar as identificações. No UNA-UNSO sou conhecido pelo pseudónimo de “Shamil”, mas na Abecásia combati com os documentos do Yuriy Serhiyovych Teteryuk. No dia 1 de Julho estávamos em Sukhumi, fazíamos a parte do Batalhão Especial dos Fuzileiros Navais do Ministério da Defesa da Geórgia. No dia 3 de Julho recebemos as armas, na tarde do mesmo dia a cidade já estava debaixo do fogo inimigo.
As nossas posições se situavam à uma distância de 1800 m da aldeia de Shroma, junto à monte com o mesmo nome. Os ucranianos cavavam as trincheiras, os georgianos não, diziam que não são acostumados cavar a sua própria sepultura. A tarde, os russos nós acertaram com o fogo dos mísseis GRAD. Um dia antes eles dispararam três vezes, primeiro disparo era normal, dois outros produziram fumo: branco e cinzento. A minha garganta ficou como se fosse queimada, perdi a respiração, teve na boca o sabor de petróleo e a sangue. Depois me saiu a pele da língua e da faringe, perdi o paladar. Hoje, quando preciso de atestado médico mostro ao doutor a minha garganta...
O segundo grupo apareceu no batalhão no dia 12 ou 13 de Julho, eles logo foram armados e levados como reforços às posições junto a Shroma. No dia 14 de Julho começou a operação. De dia aproximava-mos ao rio Gumista, de noite voltávamos as posições iniciais. Uma vez estivemos tão cansados que dormimos na estrada de alcatrão, que chamávamos de “estrada nova”. O Batalhão georgiano de Akhaltsys, nossos camaradas, era composto em 90% pelos novatos...
Dia 17 de Julho, para chegar ao monte tivemos que passar pelo campo minado, não era problema, pois as minas eram anti-tanque. Descemos e caímos sobre os “cossacos” e chechenos. Tivemos contas com os “cossacos” que nos prometiam na rádio “despedaçar as nossas peles”. Aceitamos o conselho e no dia 14 de Julho, numa operação de reconhecimento, conjunta com os georgianos, também não aprisionamos nenhum “cossaco”, mesmo quando estes levantavam as mãos. Com os chechenos era mais difícil, eles são bons soldados, se zangam no combate. Nas montanhas só ficávamos separados quando se acabavam as munições. Ninguém iniciava o ataque da baioneta, pois todos são espertos e sabem lançar as granadas...
Primeiras baixas
Nas costas tenho cinco granadas para o RPG-7. Das duas centenas de atacantes, ucranianos são 25 pessoas, para a maioria é a primeira guerra ao sério, embora alguns já passaram pela Transnístria e Karabakh.
Quatro ucranianos avançaram debaixo do fogo inimigo. Eles protegem o Gia (Giorgi), o franco-atirador do Batalhão de Akhaltsys. O nosso escuteiro “Veres” incomoda o atirador russo com o fogo da sua metralhadora pesada. Este não aguenta e se levanta, Gia dispara e da janela de uma casa à uns 300 metros cai o fuzil SVD. O atirador inimigo foi primeira baixa naquela operação. Depois começaram disparar os RPG dos “cossacos”, mas os georgianos e ucranianos estão pela encosta acima, protegidos pelos arbustos. Além disso, a metralhadora do “Veres” não os deixa apontar com a precisão. Cada segunda bala sua era anti-tanque e incendiária, ele abateu dois “cossacos” através da parede, três outros pelas costas, quando eles fugiam. Mas o último “cossaco”, antes de morrer, atingiu o nosso grupo avançado. Dois ucranianos foram retirados debaixo de fogo pelo franco-atirador Gia. Outros, incluindo “Veres” foram salvos pela enfermeira georgiana Marina do Batalhão de Fuzileiros navais. Durante o resgate abatemos cerca de duas dezenas dos “cossacos”, contando com aqueles que vimos. Escutamos pela rádio que os russos nós atribuíram o triplo...
Chegamos na entrada da aldeia e os sapadores desactivaram as minas. Na aldeia entraram 21 voluntários ucranianos, as alas eram asseguradas pelos fuzileiros navais georgianos. “Argo” deveria ter o apoio de dois blindados ligeiros e um tanque, mas estes não entraram na aldeia, receando as possíveis emboscadas.
O contra-ataque russo
O dia 18 de Julho passou em tiroteio. O franco-atirador Gia trabalhava sozinho. Os dois ucranianos com RPG eram guiados pelos observadores: quando reparavam o movimento em alguma janela, se disparava com o RPG.
No dia 19 de Julho queimamos o tanque russo T-55 modificado, rebentou a sua munição. Os georgianos receberam o complexo móvel anti-tanque 9K111_Fagot (AT-4 Spigot pela classificação da NATO), mas não sabiam como usa-lo. Ucraniano “Bayda”, ex-militar mostrou como apontar, como carregar, um dos jovens soldados georgianos carregou o gatilho e tanque foi pelos ares...
Às 16h30 os fuzileiros navais russos iniciaram o ataque, avançavam com uma longa fileira, todos tinham coletes prova de bala com laminas de titânio e metralhadoras com lança-granadas. Ucraniano “Obukh” quase não precisava de apontar, só movia a sua metralhadora de esquerda para a direita. Entre 250 balas ele tinha 200 balas anti-tanque e incendiárias, mas primeiro deixou os russos a aproximarem-se à uns 100-150 metros, conseguindo infringir pelo menos 20 baixas. Anos mais tarde eu soube que Batalhão de Akhaltsys deixou as posições sem nós avisar e os russos vendo isso decidindo “entrar em beleza”...
Os fuzileiros russos tiveram um óptimo apoio militar: duas baterias de lança-minas, bateria dos GRAD e tanques. O centurião “Ustym” pegou na rádio e em belo russo mandou palavrões ao comandante dos tanques russos, redireccionando o seu fogo contra a bateria de lança-minas dos separatistas. Os russos acreditaram mais em “Ustym”, o militar de carreira do que no seu próprio observador...
Baixas ucranianas
Os russos penetraram na nossa retaguarda, um deles lançou a granada F-1, ferindo “Ustym” que ficou contuso. Ele ainda conseguiu com uma das mãos (outra foi atingida pelos estilhaços) disparar uma rajada matando alguns atacantes. Mas depois perdeu os sentidos. Uma das balas atingiu ucraniano Leonid “Lucien” Tkachuk, o “Cviakh”. Quando abatemos todos os russos escondidos no campo de maçaroca ele pediu: “me matem, perdi a mão!” Naquele momento, entre 21 ucranianos sete já estavam feridos. Um era atingido pelo franco-atirador e levado ao hospital. Outros seis estavam no campo de batalha, “Lucien” era oitavo. Ainda não sabíamos que um estilhaço da mina matou o nosso operador de RPG, Serhiy Obukh, o “Dibrova”. Ele estava na montanha com os georgianos, não devia voltar, mas sabia que os companheiros estão em baixo, cercados pelos russos. Voltou, abateu as metralhadoras russas e morreu. Este foi o seu primeiro e último combate.
Usando uma pausa no combate “Bayda” tomou o comando e começou retirar os feridos. Os russos avançavam com dois grupos, um ia pela estrada, atrás dos feridos, outro contornava o campo de maçaroca. Leonid “Lucien” começou disparar contra ambos, salvando os feridos e chamando o fogo sobre si. Ele atingiu os dois grupos, eu apenas abati os que ainda se mexiam.
Comecei por carregar o “Lucien”, contra nós disparavam lança-minas, ele resistia, entrou em choque. Depois apareceu o seu pai, eles sempre estiveram juntos, fiquei com muito medo, se morresse não havia crise, mas não conseguiria tirar daqui dois feridos. Pai se zangava com filho, ele só abanava a cabeça. Juntos retiramos o “Lucien” debaixo de fogo, durante duas horas o carregamos nas mãos, não tivemos nem os helicópteros, nem os carros. O seu coração parou por três vezes, é uma visão terrível, assistir como um pai enlouquece calmamente junto ao corpo do seu filho...
Após a morte do filho “Obukh” não recuperou. Mais tarde ele se vingou, matou mais de 100 pessoas no lado dos separatistas. No dia 18 de Julho de 1993 Leonid “Lucien” Tkachuk, o “Cviakh”, completou 19 anos. No dia 19 ele morreu. Essa foi a sua terceira guerra, antes ele passou a Transnístria e Karabakh.
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segunda-feira, janeiro 17, 2011

A Rússia em 1839

O livro da autoria do aristocrata francês Astolphe-Louis-Léonor Marquis de Custine, “La Russie en 1839”, descreve a Rússia como a antítese histórica e geográfica da Europa, como anti-Europa, onde a vida e o destino dos leigos e do clero, dos senhores e dos cidadãos, depende única e exclusivamente da vontade despótica do seu soberano. O texto foi publicado pela primeira vez em 1843, mas parece que descreve a Rússia actual.

Monarquista convicto, Marques de Custine, odiava a revolução francesa, que guilhotinou o seu pai e o seu avo, mas também estava desencantado com a nova monarquia constitucional francesa, demasiadamente “neo-liberal” ao seu gosto. Por outro lado, de Custine era um adorador convicto da Rússia, cuja monarquia absolutista via como um ideal.

Escritor de ficção e de relatos de viagem, Marques de Custine visitou a Rússia em 1839, como resultado desta viagem nasce o seu livro La Russie en 1839, que descreve não somente a corte do rei Nicolau I, mas o tecido social, a economia e o estilo da vida do império russo.

La Russie en 1839 teve seis edições em França, foi rapidamente traduzido e largamente lido na Inglaterra e Alemanha, mas banido na Rússia. Apenas em 1890-1891 os trechos do livro foram publicados nos jornais russos. Uma edição russa muito censurada e curta foi publicada em 1910 e 1930. A primeira versão integral da obra foi publicada na Rússia apenas em 1996.

Mas o que de tão inquietante e perigoso está descrito nas páginas do livro, que mais de 150 anos foi mantido longe do público russo?

Os estrangeiros na Rússia

“O corpo diplomático e os estrangeiros no geral, este governo de espírito bizantino e toda a Rússia sempre consideravam como os espiões invejosos hostis. Neste aspecto os russos parecem chineses, pois quer uns quer outros sempre acham, que os estrangeiros os invejam, olhando para si, julgam os outros”.

Os estrangeiros “leais”

“Os moscovitas /.../ falando sobre os estrangeiros, a quem eles cegam com as suas celebrações, dizem que os devem enguirlander cobrir com as grinaldas; agora se deve mudar para encaviarer, alimentar com o caviar, dizem eles”.

Os projectos e a estatística

“Rússia é um império dos catálogos: se os ler como uma colectânea de autocolantes – tudo está maravilhoso; mas tenham cuidado ir além dos títulos. /.../ Quantas florestas são apenas lamaçais, onde você não conseguirá cortar nenhuma lasca!.. Quantos regimentos longínquos são quadros sem nenhum soldado; as cidades, estradas – tudo apenas projectos; a própria nação, finalmente é apenas a publicidade colada à Europa, um engano de ficção diplomática”.

“Quando digo aos moscovitas, que as suas florestas são mal conservadas /.../ eles se riem na minha cara. Eles calcularam quantos milhões de anos são necessários para cortar as florestas que cobrem o espaço incalculável do império enorme. E este cálculo é a resposta para tudo. /.../ Estatística faz a sua tarefa aritmética, mas a calculadora, quando calcula a soma de totais não visita as localidades, para verificar de que são feitas as florestas, anotadas no papel”.

Cadeia dos povos

“Este império, por maior que poderá ser, é apenas uma cadeia, cuja chave é detida pelo imperador, isso em um país que pode existir apenas com as conquistas...”

Violência policial

“De dia, em uma rua movimentada, espancar uma pessoa até a morte antes de a julgar, isso parece totalmente natural à sociedade e à polícia de São Petersburgo. Os pequenos burgueses, senhores, soldados, citadinos ricos e pobres, pequenos e grandes, todos concordam calmamente que essas coisas acontecem perante os seus olhos, não se preocupam com o mecanismo deste acontecimento”.

Rússia e Ocidente

“Os moscovitas recordam com orgulho à França as suas desordens políticas /.../ Mas que seja dada a liberdade de imprensa na Rússia por 24 horas e você irá saber das coisas, que vos obrigarão se recolher aterrorizado. O silêncio é absolutamente necessário para a opressão. No poder absoluto, a quebra do silêncio significa indiscrição, que equivale ao traição de estado /.../ Os nossos jornais oferecem todas as notícias sobre tudo que aqui acontece /.../, quando a política bizantina deles, funcionando na escuridão, esconde cuidadosamente tudo aquilo que eles tem medo de nós mostrar. Nós se movemos de dia – eles se movem às escondidas: o jogo não é igual. Desconhecimento, à que eles nos obrigam, cega nós; a nossa sinceridade os ilumina, nos temos o erro de palavreado, eles dominam o poder dos segredos: isso os torna tão culpados.”

“Rússia vê na Europa a presa, que por causa das nossas desavenças, mais tarde ou mais cedo será entregue à sua humilhação; ela cultiva a anarquia entre nos na esperança de usufruir dos estragos. /.../ Desde longos anos Paris lê os jornais revolucionários /.../ financiados pela Rússia. “Europa – dizem em São Petersburgo – /.../ se esgota por causa do liberalismo vazio, em quanto nos somos fortes, porque não somos livres; aguentaremos a canga, obrigaremos outros pagar a nossa desonra”.

“Eu não sei se o carácter do povo russo criou aquelas lideranças, ou aquelas lideranças moldaram o carácter do povo russo... Mas me parece que aqui presenciamos a influência recíproca. Em nenhum lugar, além da Rússia, poderia nascer uma ordem estatal igual, mas o povo russo não se ia tornar naquilo que é, se vivesse sob uma outra forma de estado”.

Kremlin

“Todas estas construções sem número revelam uma única ideia, que domina tudo: a guerra apoiada no medo. /.../ Morar no Kremlin não significa viver, mas se defender: a opressão provoca a insurreição, a insurreição obriga à vigilância, a vigilância acentua o perigo, e desta longa sucessão das acções e reacções nasce o monstro, despotismo, que construiu a sua casa em Moscovo, Kremlin”.

Império acima de tudo!

“De qualquer maneira, os moscovitas, calando a voz da sua razão, acreditam mais no czar, do que em Deus. /.../ Ambição os obriga sacrificar tudo, absolutamente tudo /.../ Isso é a tal lei suprema, que subjugou essa nação ao Ivan, o Terrível: que seja o tigre no lugar do Deus, mas que não desaparece o império”.

“No coração do povo russo habita a ambição que /.../ se alimenta da desgraça de toda a nação. Essa nação é conquistadora e cobiçosa em resultado da necessidade; na sua subordinação humilhante, acalenta o sonho de expandir a dominação tirânica sobre outros; a glória, as riquezas esperançadas permitem não pensar sobre a desonra em que se encontra, e para limpar-se do sacrifício da liberdade social e individual, essa escrava ajoelhada sonha em dominar o Mundo”.

Arquivos

“No mosteiro de Troitsk /.../ apesar dos meus pedidos enérgicos e longos, não me quiseram mostrar o arquivo livreiro; o meu tradutor repetia me toda a hora a mesma resposta: “Isso é proibido”...

Igreja Ortodoxa Russa

“Os clérigos ortodoxos moscovitas nunca eram e nunca será nada mais do que a polícia vestida em uniformes algo diferentes dos fardamentos do exército laico do império. Os popes e os seus bispos formam um regimento clerical sob o comando do imperador. Nada mais”.

A reacção de Moscovo

A edição do livro La Russie en 1839 provocou a resposta irada de Moscovo, que reagiu dissimuladamente através das suas representações diplomáticas na Europa. O estado russo financiou várias obras escritas pelos seus diplomatas, tentando desacreditar o livro e a imagem do Marques de Cistine. A campanha envolveu o diplomata russo em Paris Yakov Tolstoy e Xavier Labensky (sob o pseudónimo de Jean Polonius); o publicista Nicolay Grech, ligado aos serviços secretos russos. Para alargar o número dos “cidadãos indignados”, Yakov Tolstoy chantageou o publicista liberal russo, residente em Paris, Ivan Golovin. Ou Golovin desmentia de Custine na imprensa, ou seria obrigado regressar à Rússia. A missão diplomática russa em Paris até sugeriu ao chefe dos gendarmes Benkendorf, em aproveitar a situação financeira delicada do escritor Onoré de Balzac para o forçar a desacreditar publicamente o livro do de Custine (Charles Quenet: “Tchaadaev et lettres philosophiques”, Paris, 1931, p. 298).

Baixar o texto do livro gratuitamente da Internet (4 volumes em francês):
Russie en 1839, Volume I by marquis Astolphe de Custine
Russie en 1839, Volume II by marquis Astolphe de Custine
Russie en 1839, Volume III by marquis Astolphe de Custine
Russie en 1839, Volume IV by marquis Astolphe de Custine

Ler o texto em inglês:
http://www.amazon.com/Russie-en-1839-Astolphe-Custine/dp/0559806639