terça-feira, abril 12, 2005

Conto de fadas ou Mas que caralho não perceberam?

Conto de fadas ou Mas que caralho não perceberam?
(Казка про рєпку, або Хулі не ясно?)

Personagens

Sviryd Opanasovich, o avo
Khymka, a avo
Valentyna, neta
Tareco, gatinho
Boby, cachorro
Vera e Nádia, ratinhas
Salomon Samsonovich e African Svirydovich, investigadores da merda

Primeiro Acto

Casinha de Sviryd Opanasovich – um lugar de merda, onde raramente a cultura ponha o seu pé. De janela, coberta por bexiga de boi pode-se ver sujidade, chuva, tempestade e também o frio. As vezes, em loucura rítmica, com uivos e crocitassões, junto da janela passam bandos de corvos, dragões, percevejos e ratazanas voadoras. Naqueles momentos a casa fica escurecida. No meio da casa está sentado Sviryd Opanasovich de botas de feltro e gorro de pele, nas costas ele tem um fuzil, junto a sua mão, tem um machado bem afiado, de maneira que pode o pegar a qualquer momento. O cumulo da situação – é um jacaré empalhado, que se abana no tecto. O corpo de jacaré possui vários rótulos dos hotéis e das bebidas alcoólicas estrangeiras. Sviryd Opanasovich tira do bolso uma caixinha de merda, cheira a, espirra e guarda da onde tirou. Entram estudiosos da merda, Salomon Samsonovich e African Svirydovich, molhados, sujos e todos vestidos de borracha. Nas mãos, eles tem as maquinetas para medir o coco. Salomon Samsonovich tem debaixo de braço um pequeno dragão morto, ele o atira na mesa, como uma galinha de supermercado.

Salomon Samsonovich (para o Sviryd Opanasovich): Diz a velha, para fazer a canja. Mete um pouco de alho, um pouco de cebola e arroz – fica uma maravilha!
(Sviryd Opanasovich pega com nojo o dragão pelas azas verdes, sujas de sangue).
Sviryd Opanasovich: Porra! Quando eu era puto, no inverno eles não ficavam aqui. Quando chegava o Outono, eles começam ensinar os filhos a voar, depois sentam-se, porra, e arrotam com a carne, parecem as vacas. Alguns semanas mais tarde, todos voam para África. E voam assim muito bonito, com uma ordem incrível, até a puta da terra estremece. Quando o chefe caga, todos cagam. As vezes toda a aldeia ficava desta merda enchida. Havia mas é a ordem!..
Salomon Samsonovich: E agora?
Sviryd Opanasovich: Agora não. Agora nem eles, nem nos, em todo o lado não há ordem.
African Svirydovich: E agora, vovô, porque eles não, migram?
Sviryd Opanasovich: Mas que caralho eu sei. Antes havia a ordem, caralho, agora não há!
(Entra a Valentyna, neta do Sviryd Opanasovich, ela é uma macaca enorme, que veste em simples e bonito vestido).
Valentyna: O que você anda a dizer, seu velho de caralho? Antes, antes... Que tipo de nostalgia é essa, o que não chega para você, a cadeia?
Sviryd Opanasovich: ‘Ta calada, macaca fodida, o que você entende?
African Svirydovich (toca o dragão com a cara de sonhador): É pá, eles agora diminuíram bastante. Eu lembro, quando era puto, eles eram como bois, agora como pintainhos. O que será p’ra futuro?
Salomon Samsonovich: Mas que caralho tu não percebeste? Simples mutações. Dragões diminuam até o tamanho que lhes permite alimentar as suas famílias.
African Svirydovich: Mas as ratazanas tornaram-se como aviões, percevejos como mochos.
Salomon Samsonovich: O que você quer, African Svirydovich? Isso é uma se la vida.
Sviryd Opanasovich (fala para o vazio): Vida é uma merda!..
(Na entrada da casa ouve-se uivo e raspadelas do Boby).
Salomon Samsonovich: E depois, African Svirydovich, olhem para o Darwin...
Sviryd Opanasovich: Olha para si, ‘ta cheio de merda!..
Salomon Samsonovich: Você não fale muito, Sviryd Opanasovich, ninguém ainda lhe perguntou. Então, tenha uma visão mais ampla: no início, tudo era pequeno, búzios, diferentes espiroquetas. Mas o que eu digo, toda aquela caralhada que saiu do mar. Sim?
African Svirydovich: Sim.
Sviryd Opanasovich: Sim.
(Falando isso, Sviryd Opanasovich corta a cabeça do dragão, com brilho profissional e começa o limpar. Outra vez pode-se ouvir uivo histérico do Boby e raspadelas das suas garras).
Salomon Opanasovich: Depois outra vez tudo era grande: dinossáurios, brontossáurios, todos os outros fanchonossáurios. Sim?
African Svirydovich: Sim.
Sviryd Opanasovich: Sim.
(Com essas palavras, Sviryd Opanasovich atira a cabeça e as tripas do dragão ao Boby, que mete-se em casa ladrando. Boby é um grandalhão de caralho que tem calcas, casaco, botas, mas com a cabeça de cão. Boby engasga-se com a carne e rosna de maneira assustadora).
Salomon Samsonovich: Depois outra vez tudo é pequeno, outra vez nasceu todo o tipo da caralhada: ratos, melgas, percevejos, pigmeus, porra, os anões!..
African Svirydovich: E os elefantes?
Salomon Samsonovich: Que elefantes? Você já viu algum elefante? Você ainda podia lembrar os brontossáurios! Tudo isso é mentira de caralho! São contos do vovô. Nunca houve o elefante nenhum...
Sviryd Opanasovich (continua martelar o dragão para os bifes): Interessante, então os elefantes nunca existiram e o vovô existia?
Salomon Samsonovich: Vovô também não existia, cheire o seu coco velhote e não me interrompe. Depois outra vez tudo é grande: dragões como bois, bois como sei lá o que...
Sviryd Opanasovich (convencido): Como elefantes.
(Ele acende o fogo e põe a caçarola com o dragão no lume).
African Svirydovich (com a voz do gozo): Mas os percevejos são pequenos, pulgas ainda mais, eu já nem falo das ratazanas, mais simples ratazanas. O meu pai, quando era pequeno, brincava com eles. Agora, vá, tenta lá brincar, cada ratazana é do tamanho de um B-52! Dragões mijam-se todos...
Salomon Samsonovich: Falando nisso, qual é a sua velocidade média?
African Svirydovich: Mas que caralho eu sei, só sei que quando voam, não se vê. Agora, os dragões diminuíram no tamanho catastroficamente, aqui nem o seu Darwin irá entender o caralho, já nem falo de nos.
Salomon Samsonovich: Mas que caralho, somos simples estudiosos, nossa causa é coco.
African Svirydovich: Não, não diga isso, Salomon Samsonovich, o nosso trabalho é bonito e é útil para as pessoas.
Salomon Samsonovich (com uma ironia subtil): Principalmente para a gente como Valentyna. É o vosso instituto criou ela?
African Svirydovich: Interessante, o que você tem contra a Valentyna? Uma neta normal de um avo normal.
Salomon Samsonovich: Mas quem falou em avo? Você a pergunta sobre a sua mãe? Confessai-la, a sua mãe era do laboratório?
Valentyna (com orgulho): Mãe era selvagem.
African Svirydovich (ri-se como voz de um escovinhas): Veja, veja, você ainda ofendia a moça, você que é do laboratório! Eu corri atras da mãe dela na selva, ela por sua vez, me mordeu bastante. Ela era toda ardente, tinha sangue quente. Ásia!
Salomon Samsonovich: ‘Ta bem, com Valentyna tudo é claro. Você, como pratico, pode nos contar o que será se ele é um macaco e ela é uma mulher normal, o que acontecerá?
African Svirydovich: Tudo será ao contrario, a cria será parecida com a pessoa, mas com intelecto de macaco. Primeira Lei do Mendel, mas é uma pesquisa sem saída, nos até chumbamos o trabalho de defesa de um cabrão.
Salomon Samsonovich: Para que essa crueldade? Podíamos ter umas macaquinhas bonitas.
African Svirydovich: Não há razão para embeleza-las, elas são bonitas assim mesmo. Olhem para a Valentyna, podem ver os seus dentes, e os vossos?
Salomon Samsonovich: Mas que caralho dentes, dentes podem ser postiços, mas eu nunca ia fode-la, talvez muito bêbado...
Valentyna (zangado): Mas à ti, estúpido eu nem ao sóbrio dava! Anda todo o dia, coberto de merda, ainda pensa que é uma estrela. Mas que grande fodilheiro!
Sviryd Opanasovich: Valentyna, que caralho, não interrompes os mais velhos!..
Valentyna: Porque eles me desrespeitam?
African Svirydovich: Você, Salomon Samsonovich, tenta estupidamente, encontrar em Valentyna uma estética qualquer, usando a antropomorfia.
Salomon Samsonovich: Você pode dizer isso de maneira mais clara, African Svirydovich?
African Svirydovich: Então, olha, você está a dizer que Valentyna é feia, mas o cisne é bonito?
Salomon Samsonovich: É bonito.
African Svirydovich: Então, imagina que você tem um pescoço como cisne, patas assim vermelhas e penas para todos os lados, isso será bonito também? Então, ‘ta calado, comeu caralho? E todos os outros assim: cisne é bonito como cisne e o macaco como macaco. Que caralho não é perceptível?
Salomon Samsonovich: Ah, para a cona!.. Então, um salão de beleza!
Valentyna (fode o Boby que acaba de comer a cabeça do dragão, rosnando): Vovô, diga-lhe para deixar para o Tareco. Tareco, pç – pç – pç!..
Voz do Tareco: venho já...

Segundo Acto

Entra o Tareco, enorme gatão de Sibéria, com peles, bigodes e tudo que precisa de ter um gato. Do gato normal, Tareco difere com o seu tamanho, dentes de sabre e o bonito baritono. Olhando para o Tareco, ambos os pesquisadores levantem-se, como fazem os subordinados, na presença do chefe.

Tareco (amigavelmente, mas com ar protector): Sentem-se, sentem-se, eu não gosto disso. Algum problema, Valentyna?
Valentyna (mostra o chão, onde estão espalhados os restos e rosna o Boby): Come, Tareco!
(Tareco olha com o desprezo para o chão sujo e o Boby selvagem, que rosna e mostra os dentes debaixo da mesa e com toda a força fode-o com o seu pé. Boby, amedrontado, foge da casa grunhindo, e Tareco, com a cara de dignidade senta-se na mesa).
Salomon Samsonovich (com ar servil, tira do bolso uma bonita caixinha a-la rus, cheia de merda e oferece ao Tareco): Pode cheirar, isso é importado, você nunca cheirou essa qualidade antes.
Tareco: Você que cheira!
(Entra Khymka – simples e barulhenta velhota. Ela tira a caçarola com a canja do lume. Malta senta-se na mesa e começa a comer).
Salomon Samsonovich (baixinho, com boca cheia para African Svirydovich): O Tareco também foi criado no vosso instituto?
African Svirydovich: Não, isso é natureza. Fazer um Tareco assim, o caralho. Tudo que nos sabemos fazer agora, é como Valentyna ou Boby.
Salomon Samsonovich: Sim! Tareco isso é Europa!
African Svirydovich: Ah, Japão!
Tareco (ouviu sobre o Japão, limpa com gestos elegantes a gordura do dragão dos bigodes): Podem não falar baixinho, eu oiço o ultra-som, vejo na total escuridão, leio os pensamentos, salto vinte metros em altura e cinquenta em comprimento, consigo roer qualquer ferro e arranhar qualquer pedra. Consigo foder vinte gatas de uma vez, Valentyna vai desculpar a expressão. Preciso continuar?
African Svirydovich: É pá, também gostaria!
Tareco: Você não vai conseguir.
(Dizendo isso, Tareco limpa os restos da comida no prato com o pão, come-o e outra vez limpa de maneira elegante a gordura dos bigodes).
Salomon Samsonovich: Diga o Tareco...
Tareco: Senhor Doutor...
Salomon Samsonovich: ... Senhor Doutor Tareco, não fica cansado de ser um super-homem assim?
African Svirydovich (corrige): Super – gato.
Tareco (com muita calma): Você queria dizer uma piada, mas não conseguiu. Não, não me canso. Eu também podia perguntar, estimado amigo, se você não se cansa todos os dias mexer na merda alheia, mas como podem ver, eu não faço isso.
African Svirydovich: O nosso trabalho é assim. E depois coco é interessante.
Tareco: Claro, cada um, é cada qual.
Salomon Samsonovich: Compreende, Senhor Doutor Tareco, coco é uma substância muito interessante. Toda a gente olha para o seu, para ver a qualidade e quantidade. Pessoa fica interessada, o interesse é o caminho para o futuro.
Tareco: Porquê você precisa do caminho, para aquilo que não tem?
African Svirydovich: Não, não pode dizer isso. A humanidade tem um futuro cósmico, e sem a merda, não é possível vencer o espaço. Toda a nossa actividade, é a luta contra os crendices, este destemível interesse patriótico é simplesmente uma grande façanha!
Tareco: Então porque todos os vossos institutos não conseguem criar um rapaz como eu? Porque saem apenas uns monstrecos?
Salomon Samsonovich: Uma pergunta interessante. Vamos polemizar.
(Consegue ao mesmo tempo polemizar e limpar o seu fato macaco da merda).
Compreende, Senhor Doutor Tareco, as pessoas sempre se interessaram por três coisas: merda, torturas & execuções e monstros. Se você der lhes tudo isso, eles sentirão que viveram algo que valia a pena. Nos somos cientistas, torturas & execuções não são a nossa especialização, mas coco, mas monstros... Passaram há muito, os tempos quando os reis importavam os monstrecos, pagando o seu peso em ouro. Agora temos a produção nacional, criamos novos e novos modelos. Nos somos independentes do Ocidente, criamos a economia de escala e o seu lado estético mandamos p’ra caralho. Você não tem nada de especial, você não tem nenhuma anomalia, você é simplesmente um animal chato que tem tudo no seu lugar. Quem lhe criou – não é um cientista.
(Gesticulando freneticamente, Salomon Samsonovich bate o jacaré de rótulos estrangeiros, que permanecia calmamente pendurado em cima das cabeças da malta. Com barulho extremo, o jacaré cai exactamente na cabeça do Tareco, que mia selavaticamente, e cheio do medo, salta directamente para a bexiga do boi, que fecha a janela pobre. Tareco, embrulha-se na bexiga e cai para a natureza assustadora e agreste, da onde continua se ouvir o seu miar frenético. O jacaré continua deitado na mesa. A sua goela abriu-se da pancada, como uma tampa de mala de viagem. Excitado, Salomon Samsonovich, fecha a boca de jacaré com um muro).
Salomon Samsonovich: Então, como eu calei este mentiroso?
African Svirydovich: Nem diga, esses gatos já foderam o juízo todo, eu gostaria de manda-los todos para a fabrica de sabão!
Velha Khymka: Ele, filho da puta, nem toca os ratos. Diz que temos que tratar os ratos, de maneira que queremos que os ratos nos tratem...
Salomon Samsonovich: Olhe lá, leu o Tolstoi!
Sviryd Opanasovich: Temos que afoga-lo.
Voz fora da casa: Não é preciso.
(Entram as ratinhas – Vera e Nádia. Pelo primeiro olhar é possível perceber porque o Tareco gosta de Tolstoi. São duas enormes bestas com um muro de dentes afiados e grandes azas nas costas. Vera e Nádia parecem os pterodácteis do parque Jurássico e comportam-se da mesma maneira).
Vera: Não é preciso afogar esta fanchono, quando crescer mais um bocado e ficar mais gordinho, nos vamos come-lo.
Nádia: Caralho, senão serei uma puta!
(Nádia tira a beata da orelha, acende-a. As duas sentam-se de cócoras, colocam as suas caudas nus, na mesa, cocam as suas conas, dizem as palavrões e cospem no chão).
African Svirydovich (fala com seus botões): Ohm, ohm, ohm! Mas que putas nojentas! É pá, metem medo! Então, penso que vou...
Vera: ‘Ta sentado, caralho!
African Svirydovich (fala com seus botões): Ah! Mas que medo! Vocês não se preocupam, eu saio à inglesa... (Com essas palavras, African Svirydovich quer sair da janela. Ele tem tanto medo da Vera e Nádia, que parece que tem problemas de raciocínio).
Salomon Samsonovich: African Svirydovich, não perca a compostura. Caralho na boca destes puras, saia pela porta!
(Mas o discurso heróico perde-se, pois African Svirydovich, consegue ultrapassar a barreira do peitoril da janela e desaparece na natureza selvagem).
Nádia: Mas o que este cabrão imagina? Quem quer um coco deste? Eu hoje comi tanto, que nem o posso ver!..
Valentyna: O pai sempre é assim, fala, fala de caralho, como qualquer outro, mas de repente começa gritar e ter medo. Mas ter medo porque? Ter ou não ter, sempre vamos morrer...
Vera: Talvez a consciência dele não está limpa?..
Valentyna: Sobre a consciência não sei nada, porque nunca a vi.
Salomon Samsonovich: Agora o tempo é assim, todos são nervosos, todos andam em tratamentos, andam ver as fantasmas e espíritos, eu vivo tanto tempo, não vi nenhum. E você, meu velho?
Sviryd Opanasovich: Uma vez, quando era pequeno, tratava das cabras, do mato saíram quatro cavalheiros, magros e nus. Todos com os foices, um até tinha a balança de supermercado. Talvez iam cortar o feno, mas por que caralho a balança?
Valentyna: Pesar o feno.
Salomon Samsonovich: É pá! Isso não são fantasmas, são fanchonos, não são fantasmas. Uns cabrões fugiram do manicómio, ou então você, meu velho tomou um bom copo, ou então fumou bem...
Sviryd Opanasovich: Naqueles tempos não havia nada disso, existia a ordem!.. (Sviryd Opanasovich levanta-se e mete o machado atras do sinto. Agora vê-se que atras, o Sviryd Opanasovich tem uma grande cauda ruiva, como de um cão setter).
Sviryd Opanasovich (para a Khymka): Vamos, velhota.
Salomon Samsonovich: Vocês vão para onde, meu velho?
Sviryd Opanasovich: Temos que arrancar o nabo, cresceu, porra, enorme, como uma casa!
Valentyna: Temos que chamar Boby e Tareco...
(Valentyna sai de casa. Ratinhas – Vera e Nádia, velha Khymka i Sviryd Opanasovich seguem-na. Salomon Samsonovich fica em casa sozinho. Ele continua limpara a merda, que ficou presa na sua roupa, sob o acompanhamento da música russa “Dubinushka”, que geralmente favorece o esforço físico desprendido por todo e qualquer apreciador do catarse colectivo).

O pano de boca se fecha.

Preparou: Yevgen Shulga (http://www.shulga.kiev.ua/)
Corrigiu: Chill (chill@doslidy.kiev.ua )
Fonte: http://www.doslidy.kiev.ua/
Traduziu para português: Afric Dymon
Nota sobre o autor

Oleksander (Les’) Podervyanskiy nasceu aos 3 de Novembro de 1952 em Kyiv (Kiev). Em 1976 foi graduado pelo Instituto de Belos Artes de Kyiv. Desde 1980 é membro da União dos Pintores da Ucrânia. Especialidades: design teatral, gráfica.
Exibições mais famosos, onde Les Podervyanskiy participou como pintor (pessoais e colectivas): «Art Expo-2000», Nova York; «Lazarro Signature Gallery», Stoughton, Wisconsin, EUA (1999); Exibição de Arte Moderna, Galeria da Arte de Kyiv, Kyiv (1995); Galeria «Glasnost», Nuremberga, Alemanha (1991); «Modern Ukrainian Art», Centro Cultural de Marsvinskholm, Isted, Suécia (1990); All-Union Exhibition, Manezh, Moscovo, Rússia (1980).
Os seus quadros encontram-se em colecções privadas na Ucrânia, Alemanha, Estados Unidos da América, Israel, Grã Bretanha, Rússia e Suécia.
Começou escrever no fim dos anos 70, até agora escreveu cerca de 50 peças. Autor do livro “Herói do nosso tempo”, Lviv, Ucrânia, Editora Calvaria, 2001.
Casado e tem uma filha. Os amigos chamam-no “Podia”.
Vive e trabalha em Kyiv, Ucrânia.

Danko (Feeria) / PG 18

Данко (Фєєрія)

Oleksander (Les’) Podervyanskiy
www.ultima.te.ua
www.doslidy.kiev.ua

Personagens
Danko
Multidão

Primeiro Acto

Bosque feito de cartolina. Entra a multidão. Multidão berra de maneira assustadora e selvagem. As vezes é possível ouvir as frases do tipo: “Malta! Basta gastar as solas. Os chefes ganham o taco e nos ganhamos os calos”. Entra o Danko e dispara para o ar com uma pistola.

Danko: Caluda!
(Todos ficam calados, até mete a impressão).
Danko: Pensar – não! Seus cabrões! Vamos!
Voz: Então, vamos à onde?
Danko: Vamos! Seu facho! Quem não quer – mato p’ra caralho!
(Danko arranca o seu coração do peito, que brilha com uma luz de candeeiro e abana-o como a tocha.
Voz da multidão: Mas com caralho!
Danko (Grita): Hurahhhh! Avante, seus cabrões!
(Todos correm na direcção oposta da onde entraram) .

Segundo Acto

Pântano. Entra a multidão junto com o Danko.

Danko: Andem!
Voz da multidão: Penso que já chegamos.
Danko: Pouco barulho, caralho. Andem!
Voz da multidão: Quero lá foder uma vida assim.
Danko: Basta, cona da vossa mãe! Porque pararam?
Voz escovinha da multidão: Danko! Coração se apague!
(Realmente. O coração nas mãos de Danko começa escurecer. Danko atira o com toda a força para o chão e pisa com os pés. Depois arranca o seu fígado. Fígado logo começa arder com uma chama azul).
Danko (berra com a voz do possuído): Andem!
Danko e multidão desaparecem na direcção oposta da onde entraram.

Terceiro Acto

Deserto. Entra multidão junto com o Danko.

Danko (manda piada): O tempo hoje é bom p’ra caralho!
(Multidão fica calada)
Danko: Porque calaram-se? Ah? Onde está a velha puta Izergil?!
Voz da multidão: Bateu a bota ontem.
Danko (com incerteza): Andem.
Voz da multidão: Ande mas você p’ra caralho!
Voz escovinha da multidão: Danko! Fígado se apaga. (Danko atira para o chão o fígado mal cheiroso e já todo ardido).
Voz escovinha da multidão: Danko! Arranca os rins – eles vão arder. (Danko arranca os rins. Eles ardem, mas não com a luminosidade desejada. Então Danko atira os para o chão).
Danko: Então, cabrões. Agora estão contentes? (Multidão fica calada).
Danko: Então, chegou o vosso fim, caralho! (Morre).
Voz da multidão: Fim, o caralho! Nos criaremos no deserto um pomar!
Vozes: É malta! Ele ‘ta dizer a cena búe da fixe!
Voz: Hurrahhhhh! Andem, seus cabrões!
Todos: Hurrahhh!

Pano de boca se fecha.
Preparou: Chill - chill@doslidy.kiev.ua
Fonte: http://www.doslidy.kiev.ua/

Nota de tradutor

Danko (Feeria) tem uma certa alusão ao conto homónimo de Maksim Gorkiy (Peshkov), também conhecido em Portugal (sabe-se lá porque), como Máximo Gorki.

Nota sobre o autor

Oleksander (Les’) Podervyanskiy nasceu aos 3 de Novembro de 1952 em Kyiv (Kiev). Em 1976 foi graduado pelo Instituto de Belos Artes de Kyiv. Desde 1980 é membro da União dos Pintores da Ucrânia. Especialidades: design teatral, gráfica.
Exibições mais famosos, onde Les Podervyanskiy participou como pintor (pessoais e colectivas): «Art Expo-2000», Nova York; «Lazarro Signature Gallery», Stoughton, Wisconsin, EUA (1999); Exibição de Arte Moderna, Galeria da Arte de Kyiv, Kyiv (1995); Galeria «Glasnost», Nuremberga, Alemanha (1991); «Modern Ukrainian Art», Centro Cultural de Marsvinskholm, Isted, Suécia (1990); All-Union Exhibition, Manezh, Moscovo, Rússia (1980).
Os seus quadros encontram-se em colecções privadas na Ucrânia, Alemanha, Estados Unidos da América, Israel, Grã Bretanha, Rússia e Suécia.
Começou escrever no fim dos anos 70, até agora escreveu cerca de 50 peças. Autor do livro “Herói do nosso tempo”, Lviv, Ucrânia, Editora Calvaria, 2001.
Casado e tem uma filha. Os amigos chamam-no “Podia”.
Vive e trabalha em Kyiv, Ucrânia.